O meu lugar favorito fica naquele momento em que te abraço,
de surpresa,
atrás de ti,
naquele cantinho do teu pescoço,
onde sorris.
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O meu lugar favorito fica naquele momento em que te abraço,
de surpresa,
atrás de ti,
naquele cantinho do teu pescoço,
onde sorris.
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Sailing
After having loved we lie close together
and at the same time with distance between us
like two sailing ships that enjoy so intensely
their own lines in the dark water they divide
that their hulls
are almost splitting from sheer delight
while racing, out in the blue
under sails which the night wind fills
with flowerscented air and moonlight
- without one of them ever trying
to outsail the other
and without the distance between them
lessening or growing at all.
But there are other nights, where we drift
like two brightly illuminated luxury liners
lying side by side
with the engines shut off, under a strange constellation
and without a single passenger on board:
On each deck a violin orchestra is playing
in honor of the luminous waves.
And the sea is full of old tired ships
which we have sunk in our attempt to reach each other…
Henrik Nordbrandt
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Estava a precisar de ser feliz
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Deixo aqui um ponto de interrogação a marcar o fim.
A resposta, nunca a ouvi. Por isso pergunto-me. E respondo-me.
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- Estou quase triste
Então porquê?
- Porque quando começa a ficar escuro sei que depois vou estar triste.
Mas ainda não está escuro.
- Pois não, mas vai ficar.
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a brisa quente
abre porta sem trinco
faz de mim ladrão
(ainda) à espera de ser visto aqui
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quartos de hora
onde vivo agora
chuva constante
a ver, aqui
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tu em Sirius
o sorriso chega-me
oito anos-luz
para ver, aqui
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“Como te chamas?“
- Não sei. Vivi sempre sózinho.
——Ensaio para uma curta-metragem - 5 a 7 min (storyboard sem imagens)
Personagem principal, nitidamente nos 30, modo de vestir causal (streetwear) sem grandes traços distintivos, um pouco descuidado, barba de 3 dias.
Cena inicial num escritório, movimento de pessoas, o personagem principal atende um telefonema, recebe um documento colocado na secretária por uma colega que demora um pouco o olhar, sem ser retribuído ou notado sequer. gestos quase indiferentes para um colega na secretária em frente.
Saída para uma rua agitada (ruído citadino), coloca o leitor de MP3 e auscultadores (Radiohead, Talking Heads, algo moderno e alternativo). Entrada no metro.
Em casa, sóbria em mobília, obviamente IKEA, algo desarrumada, mas não desleixada, jornais, revistas, CD’s, um livro (um clássico) sobre a mesa da sala. Essencial ter planos que revelem a ausência de outras pessoas na casa. Planos de estantes, mesa de cabeceira - sem fotografias. Casa de banho só com um copo e artigos exclusivamente masculinos.
Sons : no interior da casa, o silêncio entrecortado por sons secos tipo chaves na mesa, um toque numa cadeira. Ruídos de fundo dos vizinhos.
O telemóvel toca. Atende, “Sim? (pausa) Hmm, quando? (pausa) OK (pausa) OK, ciao”
Num bar, iluminação fraca, música lounge.
Em pé, encostado ao balcão, uma bebida em frente, olha o relógio.
Surge uma rapariga, ar simpático, bonita, que lhe pergunta:
“Como te chamas?”
- Não sei, vivi sempre sózinho
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Andava de um lado para ao outro, sem se decidir.
Com inquietação, ponderava prós e contras.
Nunca soube bem porque acabou por pegar no telefone.
Os toques pareciam suceder-se sem fim.
Num momento apenas, tanto silêncio, até que
“Estou?“
“Desculpa…foi um engano”
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na poça de luz
aranha cai em seda
a casa velha
ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão, por isso
a poça de luz
aranha cai em seda
na minha ruína
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Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito…
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão Ferreira
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“Ser marginal. Não ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjecção. Ser apenas do lado da vida em que não passa muita gente, se é quase anónimo, fora do alvo que é visado pela notoriedade, curiosidade pública, grande reputação. Ser em humildade, na discrição de nós, na curta dimensão de nós. Não é por comodismo, orgulhosa modéstia, ressentimento. Não por nada disso ou outras coisas disso, mas só para nos não perdermos de nós, não nos esbanjarmos na invasão da dissipação alheia. Não por nada disso mas só pela economia do pouco que nos pertence e mal dá para abastecer uma vida. Ser marginal - sê marginal. Afecta a ti próprio o espaço que é para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espaço, que é que te dava? A ampliação do teu rumor na amplificação alheia dele, seria alheio e não teu. A tua voz é breve, não a amplies ao que não é. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. Não os sejas mais do que és. E então verdadeiramente serás.“
Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente IV’
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uma paisagem verde. estás comigo.
- “preciso de espaço”
o plano sobe, gradualmente. desaparece tudo, dando lugar a um branco luminoso, apenas com um ponto negro longíquo.
a noite na cidade. luzes. o passeio empedrado. dois sons distintos de passos.
- “preciso de espaço”
o plano sobe, gradualmente. desaparece tudo, dando lugar a um branco luminoso, apenas com um ponto negro longíquo.
um quarto. velas. o teu perfil na penumbra
- “preciso de espaço”
o plano sobe, gradualmente. desaparece tudo, dando lugar a um branco luminoso, apenas com um ponto negro longíquo.
o ecran do computador. texto a ser escrito numa janela.
outro texto a ser escrito noutra janela. “preciso de espaço”
o plano desfoca-se. branco. um ponto negro. vários pontos negros.
- “então? esse livro é sobre o quê?”
à porta do quarto, um homem, com calças de pijama, segura uma escova de dentes. sorri.
sobre um ombro feminino, macio, uma alça finíssima, cabelos pretos, longos. Sente-se um movimento suave debaixo de um edredon.
- “hmmm… parece o mesmo de sempre. rapaz encontra rapariga, rapaz perde rapariga. mas ainda não cheguei ao fim. quero ver como acaba”
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se um dia desaparecer
e investigarem
sangue
suor
esperma
lágrimas
saliva
na tua pele,
dentro de ti
poderás sempre alegar
(e de modo convincente)
desconhecimento
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