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Prélude à l’après-midi d’un faune

A estrada. Onde ninguém passa, senão eu. Crepúsculo de Outono. (Bashô)

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Madrugada

18 Dezembro 2007 por apresmidifaune

acordo. cedo demais.
a luz azul de Sirius espalha-se, suave, na janela.
queria-te aqui mais um pouco, acredito que ficarás
se a luz do sol iluminar o teu primeiro gesto,
se esse gesto for um sorriso
como agora, enquanto dormes
afasto-me enquanto te voltas e enches o quarto com a tua sombra
não ouso sequer tocar no teu cabelo, que antes agarrei com força
abraço-me em concha para guardar os teus gritos, o cheiro da tua seiva,
beijo-me para sentir ainda os teus lábios na minha pele
fecho os olhos para me impedir de te acordar, de quebrar
e velo-te,
em silêncio,
e espero
que a luz azul de Sirius te faça ficar mais um pouco
tenho medo de adormecer e não ver o teu primeiro gesto
e esse gesto ser um sorriso
acredito que seria assim, se estivesses aqui…
lá fora, o silêncio, o ladrar irritante de um cão
o ruído de uma garrafa na pedra irregular do passeio
a luz azul de Sirius, do lado de fora da janela.
e é tudo, creio.

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